Ao iniciar no caminho da Arte, é comum nos depararmos com pessoas de crenças diferentes.
Não estou falando dos monoteístas cristãos, muçulmanos ou judeus. Nem mesmo dos espíritas do Candomblé e da Umbanda.

 

Estou falando de outros pagãos.
Algumas pessoas são bruxas sem crer em nenhuma deidade, outros seguem um panteão único, algumas fazem uma mistura de todos os panteões.
Seja como for, elas pensam e exercem seu ofício de forma diferente da sua e isso pode gerar dúvidas aos mais novos e desconforto aos mais antigos.

 

Com nossa participação em rituais e grupos diferentes, começamos a conhecer muita gente que tem ideias tão distintas e pessoais quantos são seus nomes, que aliás eu tenho tanta dificuldade em lembrar.

 

No início, não vou mentir, foi difícil aceitar e entender as diferenças.
Mas eu fui mesmo assim, e houve rituais lindos, nos quais, mesmo sendo presididos por pessoas com crenças diferentes, pude sentir a energia, o calor, o poder gerado. Noutros, não foi possível sentir nada.
Houve discussões em que ficamos estressadas (eu, principalmente), noutros nos divertimos mesmo discordando e ganhamos ótimos amigos.

 

Porque falo disso tudo?
Porque, vira e mexe, vejo o pessoal falando que os bruxos precisam se unir para termos mais representatividade.

 

Essa é uma questão dúbia para mim, pois, particularmente, não vejo motivos ou necessidade para esse tipo de ação. Eu vejo a Arte como algo que não precisa e não deve ser reconhecida, a Arte não precisa de representatividade. Sempre vivemos nas sombras e a ela pertencemos. Mas isso sou eu, minha visão.

 

Mas, para aqueles que acreditam que essa representatividade é importante, pergunto: como você vai unir várias pessoas com visões, senão antagônicas, no mínimo distintas, senão se permitindo conhecê-las?

É o mesmo que unir católicos e evangélicos. Eles tem tantas divergências entre eles que só se unem mesmo quando a questão é atacar não cristãos.

 

Algumas pessoas preferem ficar entre os seus. Algo que, antes da Interlunium, era minha estratégia também. Mas hoje vejo que perdi de aprender sobre a visão alheia e de conhecer pessoas incríveis. Perdi de conhecer panteãos diferentes, ouvir vozes diferentes, sentir energias diferentes.

 

Então, na próxima vez que ouvir falar de um ritual em grupo com pessoas que você não conhece, dê uma chance. Qualquer experiência que você venha a ter pode ser interessante. Basta abrir sua mente e permitir-se sentir e aprender a visão do outro.

 

Quem sabe dessa forma nos unimos como tantos desejam.

Talvez você encontre um novo caminho, ou, no mínimo, você perceba que sua verdade é a mais correta para você do que imaginava e, talvez, eventuais dúvidas que tenha sejam sanadas por si só. Talvez aprenda algo novo, talvez ensine algo a outra pessoa, talvez aprenda com os erros do outro.
Mas sem dúvida alguma, você vai ganhar algo com isso.. eu ganhei, e muito!


Imagem autorizada pelo Carlos Ruas

 

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