Essa pergunta é mais antiga do que qualquer pessoa viva. É uma discussão histórica, e que não acaba tão cedo, a meu ver. São religiosos e céticos tentando há séculos desacreditar a astrologia, acusando de inocência os que buscam e de charlatanismo os que estudam e trabalham com isso. Mesmo assim, o interesse das pessoas pelo assunto só aumenta. Por quê?

 

Começo dizendo que qualquer tentativa de explicação científica realmente não pode ser comprovada. gravidade, eletromagnetismo, raios cósmicos, nada disso tem fundamentos no que nós entendemos como ciência hoje.
A questão é que a astrologia não precisa dessa comprovação materialista porque ela funciona em um nível mais sutil, respeitando o princípio de que é em cima como é em baixo. É um conhecimento antigo que está na construção das nossas sociedades. Assim na terra como nos céus. Olhar pras estrelas e enxergar correspondências com os ciclos humanos e os ciclos da terra é algo que nós fazemos, de um jeito ou de outro, por todo o mundo há milênios.

 

É possível supor que já havia uma observação do céu desde tempos pré-históricos, desde as cavernas, desde os primeiros xamãs. Digo porque os registros escritos mais antigos deixam aparente que a astrologia já era senso comum. Esse conhecimento foi passado de geração em geração, sendo remodulado de acordo com a época e a cultura, moldando e sendo moldado pela sociedade. Nossos cientistas, médicos, matemáticos eram todos astrólogos, quem estudava uma coisa manjava das outras, estava tudo conectado.

 

A astrologia começa a perder espaço com leis cristãs que proibiam práticas de previsão do futuro; e a partir do século 17, com a revolução científica e separação de astrologia e astronomia, começa a rejeição da astrologia pela academia como ciência e saber digno de entrar nas universidades. Também é importante mencionar que a boa astrologia era pra elite, e na astrologia popular existia muito charlatanismo, o que facilitou ainda mais o processo de escanteio da astrologia como superstição, crendice, ou estudo ocultista.

 

Você pode dizer "tá, é antigo, e daí? nós não nos tratamos com a medicina de 500 anos atrás, evoluimos nossos conhecimentos, rejeitamos conceitos ultrapassados de visão de mundo, por que insistir na astrologia?"

 

Sabemos que uma das nossas tradições coletivas mais antigas é contar histórias, e nessas histórias nós tentamos capturar a essência do que é ser humano e viver na terra, nesse universo. Trazemos questões cotidianas, rotineiras e questões profundas, como nossas origens e a razão da nossa existência. Hoje a gente tem netflix, na grécia antiga tinham cantos de deuses e titãs. Todos esses mitos e esses símbolos, como diversos outros variando por local e época, tem elementos fundamentais muito similares que reverberam no todo da existência humana. Está nas nossas entranhas, no nosso DNA.

 

Unindo a observação dos ciclos naturais no céu e na terra, o conceito de sincronicidade, com essa ideia de que repetimos padrões contidos nessas histórias, mitos e símbolos, começamos a entender o funcionamento da astrologia. É a ideia de que o que começa em um determinado momento, tem a qualidade daquele momento. E além disso, de que é possível mapear esse momento para entender suas principais características e potencialidades.

 

Tudo o que nasce tem um potencial, seja uma pessoa, um país, uma empresa, um projeto ou uma pergunta. o astrólogo levanta o mapa desse nascimento pra intepretar quais são esses potenciais a partir do significado simbólico já estabelecido e comprovado pelo tempo e observação de cada ponto e suas interconexões.

 

O mapa em si é feito através de cálculos matemáticos que determinam a posição de cada planeta ou ponto nos 360° da eclíptica - a trajetória aparente do sol observada a partir da terra, composta pelos 12 signos. Hoje em dia isso é muito facilitado pelos softwares que em segundos tem o mapa prontinho.

 

Outros pontos importantes:

 

1) A astrologia tem um ponto de vista terreno, humano. É por isso que não faz diferença a distância física dos planetas, mas como eles aparecem pra gente aqui. Também é por isso que às vezes um planeta parece estar andando pra trás e dizemos que está retrógrado, embora o movimento deles seja constante na mesma direção.

 

2) Signos não são o mesmo que constelações, os nomes são emprestados pelas posições aproximadas, mas são coisas essencialmente diferentes. No ocidente, usamos o zodíaco tropical, baseado nas estações e nos pontos de solstício e equinócio. Então não importa quantas vezes esse assunto volte à tona, não existe 13º signo, e isso não é um erro, burrice ou teimosia dos astrólogos.

 

3) Signos não afetam pessoas, signos não causam acontecimentos. Os planetas é que tem poder, e cada um vai agir de maneira diferente e se relacionar de maneira diferente com cada signo e com os outros planetas. Ou seja, julgar o coleguinha pelo signo ou fazer qualquer generalização não é aconselhável ou tem qualquer fundamento na verdadeira prática da astrologia.

 

4) Embora hoje se conheça mais o horóscopo e a astrologia psicológica, esse foco na astrologia natal na verdade é muito recente. A tradição astrológica tem técnicas que abrangem previsões mundiais, políticas, econômicas, agrícolas, do clima, médicas... A lista é extensa, mas a questão é que a astrologia pode ser aplicada tanto pra interpretação da natureza individual e destino de alguém quanto questões práticas e coletivas.

 

Não estou dizendo que todo mundo tem que acreditar no funcionamento da astrologia, mas acho importante conhecer e entender de verdade tanto aquilo que gostamos quanto o que queremos criticar.

 

Pra mim, não é nem questão de crença, e sim de observação

 

Manu - Astróloga

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